whatever ma haaa

POSTED ON: 26 de ago de 2010 @ quinta-feira, agosto 26, 2010 | 1 comments

Atenção: Esse texto não tem NADA haver comigo, nada! Mas achei interessante. Aos cuidados, Hayra. - Hamlet em um domingo até que razoável! Chove desde cinco da tarde e eu devia estar satisfeita. Não é o que acontece, pois tem uma festa de crianças no prédio ao lado. Torço por domingos com chuva, mais imaginar um bando de criancinhas socadas num salão fechado, tendo pula-pulas ensopados do lado de fora, tudo por minha culpa, estraga meu momento. Não tanto quanto a trilha sonora da festa, que vem violentando meus ouvidos há horas. Então, acho, que estamos empatados. Eu e as criancinhas. Posso me deliciar com a confortante sensação de que não há nada mesmo para fazer nesse domingo chuvoso, e elas estão perdoadas pelo terrível gosto musical.Quites. Todos com as suas devidas razões para estarem levemente aborrecidos com as coisas. No meu caso especifico aborrecimento não é nem o termo, já que sofro dessa síndrome, rara, de detestar finais de semana. Assim, se começo minha ladainha, dificilmente paro antes de enumerar tudo o que há de insuportável nos dias. Eu receio ser tarde demais para evitar o assunto que já usei adjetivos tão definitivos e rabugentos. Não custa, entretanto, antes, tentar me explicar: não, não sou inspirada pelo mal-estar. Jamais me permitiria ao vão masoquismo de cultivar dores para ser criativa. É claro que eu adoraria estar refestelada em alguma canga, enchendo o quengo de caipirinha, sem me importar se a musica que preenche o espaço entre os corpos besuntados de protetor solar é vulgar ou estimula ritmos que balançam pancas e bundas frouxas, sexualizando o que há de menos sensual no mundo. Seria muito mais fácil lidar com meu natural tédio domingueiro, caso conseguisse me agrupar em churrascos, eu sei. Mais se eu seria dessa forma mais ou menos feliz, não sei. Tornar-me um organismo que se adapta tipo o que comemora gols em bares, faria de mim alguém que prefere domingos ensolarados? Seria eu mais feliz se não fosse a que sou virando adepta do coletivo festivo? Haveria menos infelicidade em mim, se eu não percebesse as injurias cometidas ou as traições dos interesseiros, e tudo o que o tempo trás de doloroso? Será que, para escapar da dor, devo logo abraçar a euforia da simples alegria de viver, e sair cantando refrões tolos pela própria felicidade da tolice? Não, obrigada. Prefiro o tédio total ao conformismo preguiçoso da solução pelo coletivo. Prefiro nunca mais ir a festas do que me embriagar da burrice que alivia. Mil vezes carregar na alma esse vazio, do que molda situações, e pessoas, idiotas, que caibam, por tempo limitado nesse espaço vago. Que todos têm de nascença, ninguém espaça, pois, ora bolas, o que dói mesmo é ser sozinho no mundo, e isso é o que todos somos. Porque amo tanto meu país, e minha língua, é que me assusto com a capacidade de nos desviarmos do que é premente. Minha alegria escancarada nessas bocas sabe? Alguém mais se incomoda com isso, alem de mim? Heim? É muito triste sentir-se de um espírito-de-porco, em meio a um exercito de contentes. Por exemplo, essas pessoas que fazem dos seus ciclos de separações e casamentos noticias que impulsionam trabalho. Não pode. A não ser claro, que o seu trabalho seja se casar e se separar. Uma restrição de ordem da estética, não ética. É simplesmente feio ficar anunciando o encontro de almas gêmeas que dura menos que uma novela. Não é legal com aqueles que ainda acreditam nessas máximas românticas. Com os humanos normais que sofrem os términos das relações e se deparam com a facilidade com que nossas celebridades curam suas feridas. Mais uma vez penso: será que só eu reparo nisso? Gente, eu estou ate hoje tentando me recuperar do fim do meu primeiro namoro. E esse povo bronzeado e feliz já esta, pela centésima vez, anunciando ter encontrado o verdadeiro amor na orla da praia! Serio: o problema é comigo? Só eu que não sei jogar frescobol neste país? Só eu estou atordoada por tentar educar crianças honestas numa cultura que premia o oposto? Enfim, e se me fosse ofertada a chance de não sofrer qualquer dor, aliviando os conflitos que a vida me trouxe, os amores que me largaram e deixaram magoas tatuadas n’ alma e conseqüente solução para o tal buraco que n’alma é feito? Antes de aceitar, hesitaria, como um Hamlet desajeitado? Caso seja através da lamina fria de um punhal o.k, mais se for para ficar anestesiada em meio ao coro dos contentes histéricos, jamais. É preciso dor para ser feliz sem ser idiota. - Fernanda Young

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